De ser natural, preso a uma cadeia alimentar, competindo com os outros animais, dentro da lei natural – devorar e ser devorado – o ser humano tornou-se ao longo de milhares ou milhões de anos, um ser cultural. A revolução humana se deu pela extensa produção cultural, dominando a produção do fogo, erguendo-se sobre os membros inferiores, e desenvolvendo habilidades com as mãos, praticando a industria. Mas, o que é mesmo, a CULTURA?Cultura é tudo o que produzimos em nossa relação com a Natureza, com o trabalho. Assim, os seres humanos modificam a Natureza, e a si mesmos com o trabalho. Daí, só existe duas maneiras de ver o mundo em que vivemos: o que é natural e o que é cultural. Em nós mesmo, o que ainda é natural? Partindo de comunidades tribais familiares, passando pelo escravismo de fato, até o Capitalismo, o saldo das sociedades humanas foi o distanciamento do que é natural, para o cultural.
Como seres culturais, somos totalmente dependentes da sociedade, das ciências e dos modelos econômicos. Em algum momento dessa trajetória dos seres que se dizem “humanos” ou pensantes, inteligentes, aconteceu uma ruptura da consciência com a Natureza , que ficou registrada no inconsciente coletivo da humanidade. É essa a idéia do Re-ligar ou re-ligação, da palavra latina “religião” sob o aspecto esotérico. Perdemos a sintonia com a Natureza, nossa origem e sentido de nossas existências. Nas tradições religiosas, uma geração de cegos. No poema épico Mahabharata, Dhritarashtra é o velho rei cego que não consegue evitar os filhos violentos no caminho do erro e da grande guerra. Na tradição bíblica Isaque fica cego, sendo enganado pelo filho mais novo Jacó. O nome de Isaque nos remete aos reis sumerianos , uma geração rizonha e feliz do passado. Não é uma pessoa, mas uma geração mítica que ficou cega, perdeu a visão, a ligação com a natureza , com a divindade, com as origens.
Religião, no sentido esotérico é uma busca pessoal, interior, dos humanos com as origens – na linguagem popular, com a Divindade. Conectar-se com o absoluto, entender o sentido da existência. Com certeza, nos últimos milhares de anos, homens e sociedades secretas, já descobriram alguns caminhos para isso, com sucesso. Então, qual é o problema?

Acontece que a cultura, nas diversas expressões da vida humana em sociedade, tornou-se um instrumento de poder, de escravidão , de exploração, em nome da sobrevivência, pelos poderes econômicos, que passaram a usar os discursos políticos, religiosos e ideológicos para o controle social, que tornou possível a alienação. O objetivo da vida passou a ser o hedonismo, o prazer. A medicina contemporânea trabalha para o prolongamento e a qualidade de vida das pessoas a peso de ouro. Bilhões de seres humanos se reproduzem, como bestas sem raciocínio, sem saber exatamente para quê servem na economia da Natureza. Milhões de animais são mortos impiedosamente para nos alimentar. Somos carnívoros? Não ! É uma invenção, é CULTURAL. Seres de carne, alimentando-se de carne. No Livro apócrifo de Enoque, excluído da Bíblia, é colocado como uma abominação ensinada pelo grupo de “anjos “ de Samael.
Acumular riqueza, buscar “qualidade de vida” e viver o máximo possível – a qualquer preço –exterminando os animais, vegetais, e não percebendo isso, tornou possível aos seres humanos concretizar um pesadelo imaginário, dantesco : o INFERNO. Um lugar de pesadelo, de abominações, cheio de demônios, onde estaria aprisionado Satanás, Senhor desse lugar reservados aos condenados dos Cristianismo e do Islamismo. Somente a INCONSCIÊNCIA, a alienação e a ignorância profunda, não deixa as pessoas perceberem, que finalmente criamos de fato, o INFERNO: assassinos rodam a madrugada assaltando e invadindo casas, e matando; pedófilos, necrófilos ; políticos, advogados, policiais e juízes, gananciosos e corruptos; rios e igarapés mortos cheios de fezes e lixo; mulheres abortando e jogando fetos no lixo e nos igarapés. Você já reparou que Manaus é uma cidade cheia de bosteiros? São igarapés cheios de fezes como os do inferno imaginado por Dante na “Divina Comédia”. Uma lixeira de quarenta quilômetros despercebida por uma população sonâmbula que odeia a Natureza inconscientemente.
A mesma opção inconsciente que nossa geração escolheu nas últimas décadas, o suicídio coletivo, global. Uma grande colheita maldita, para realimentar a terra do desgaste provocado pelo esforço de sustentar bilhões de seres , que nada dão em troca de suas vidas miseráveis. Embora, isso não represente de modo algum o fim da humanidade, porque sem dúvida alguma outras humanidades já erraram e foram destruídas, e começaram tudo de novo. A questão é perceber o que somos, o que queremos nessa aventura chamada vida. Combater a inconsciência e despertar para a religação com o absoluto.Mas não é tão simples assim. Porque caminho e a descoberta não é uma experiência coletiva, mas completamente individual e uma conspiração num mundo de adormecidos.
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